Carnavalescas

 

Voltamos agora e é Carnaval. Essa festa que consideramos sagrada, porque é espaço de expressão de arte e alegria humana  – cá pra nós – sempre tão reprimida. É claro que não vamos generalizar. Há excessos sim no Carnaval, e com os quais não concordamos e não faremos apologia. Mas embarcamos no lado bom das coisas e o Carnaval  é um momento inspirador. É brilho, beleza, movimento, cores, alegria, liberdade, calor humano, cultura.

Então, é nesse bloco que vamos. Que tal vir conosco?

Os looks

“Com que roupa eu vou pro samba que você me convidou?”

Essa dúvida, cantada por Noel Rosa no passado, está sempre presente. Afinal, na hora da escolha do look certo para cada ocasião sempre vem essa indagação. No carnaval, em específico, alguns trajes são clássicos e ultrapassam gerações, como por exemplo as tradicionais fantasias de Colombina, Pierrô, Cigana, Rei e Rainha, Palhaço, entre outras. De qualquer maneira, no carnaval a ordem é alegria e criatividade, por isso, na impossibilidade de usar uma fantasia tradicional, crie a sua. Nossa sugestão é que você utilize peças que já possui e incremente o look com flores, lenços, bandanas, chapéus, colares, etc. E muito brilho. O resultado será fantástico. Para ajudar na sua criação, compartilhamos aqui algumas sugestões.

Encante-se por uma dessas ideias e caia na folia! Carnaval é pura alegria.

Um beijo,

Dôra

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Amenidades. Esses hiatos…

Estive refletindo sobre o sabor da vida e concluí que as amenidades, aquelas coisas que nos parecem sem muita importância – “porque temos uma porção de coisas grandes pra conquistar e não podemos ficar aqui parados” – são elas, sim, que se constituem o “sal” da nossa existência.

Explico. Hoje à tarde, quarta-feira de Cinzas, saímos para um pequeno passeio no bairro. Lembrei que preciso ver um sapato para o casamento de uma grande amiga, mas as lojas, quase em sua maioria, estavam fechadas. Aí, resolvemos ir a um shopping em Vila Velha. Haveria lá alguma peça interessante. Então, fomos conversando ”coisinhas nossas”. Comentamos o almoço que preparamos hoje (sobrecoxas de frango assadas com pedaços de batata em ninho de cebolas roxas), que, modéstia à parte, é sempre sucesso em casa. Depois, contamos casos ‘sem lá tanta importância’ que nem me lembro, e seguimos pela Terceira Ponte – nossa obra monumental e um dos cartões postais de Vix –  e que nos permite um vista panorâmica da belíssima baía de Vitória, tendo a sul o imponente outeiro do Convento da Penha, que sempre nos remete a uma reverência ao divino – o nosso universo intrínseco e paralelo.

No shopping, continuamos falando de coisas, comentando trivialidades, demos um giro por lojas, testamos perfumes e cremes, compramos acessórios para maquiagem.

Enquanto isso, Maria, leitora voraz, foi à livraria próxima e não é que veio com a notícia que enquanto nos aguardava lera uma revista em quadrinhos inteira?  Pois é. Seria isso ético? (afinal, é o produto da loja) ao que ela disse que livros e revistas estão ali, abertos aos leitores e que ler ali não é proibido. É, pode ser.

Olhamos mais algumas outras novidades e resolvemos, tal como fazemos sempre, tomar um café. Desta feita, fomos a um belo espaço que serve sempre um ótimo café, acompanhado de bolos, quiches, empanadas e outras delícias argentinas. Os papos continuavam amenos e agradáveis. Degustamos um brownie  de doce de leite e tiramos uma selfie, que postamos no Instagram com uma legenda inspirada: “Momentos de doçura compartilhados”… E, ao final, quando já íamos saindo, soubemos pela funcionária que iriam fechar o serviço de café. Ora, ora! Reclamamos. Isso não se faz. Fechar um café, onde já se viu isso? E são tão poucos com esse glamour! Isso tem um sabor amargo, é como um café frio e fraco, pensei. Mas, afinal, o que é isso, se já assistimos em nossa cidade ao fechamento de tantos cafés, livrarias e, como se não bastassem, mais de uma dúzia de cinemas. Consideremos: “Não estamos alegres, é certo, mas por que razão haveríamos de ficar tristes? O mar da história é agitado. As ameaças e as guerras havemos de atravessá-las, rompê-las ao meio como uma quilha corta as ondas” e de fato tantos outros motivos temos para nos alegrar, afinal, estamos aqui, juntos, com esses nossos momentos, compartilhando os instantes com seus sabores, no balanço das horas, dos dias, dos anos. Juntos. Com nossas relações afetivas e fraternais. Querer mais?…

Já de volta pra casa, a pedido de Maria, no CD que rolava colocamos a música de número três:  Sealed with a kiss – Uma canção inspiradora e que fecha a nossa tarde de amenidades. Amenidades que, concluí, dão sabor, adoçam a vida. São esses ‘hiatos’ que nos conectam na tessitura desta existência. E pensar que gastamos tanto tempo em busca de uma porção de coisas grandes pra conquistar…

Ah! Lembrei agora, não é que esquecemos do sapato?

brownie

Um beijo,

Dôra.